O Diretor-Executivo do Conselho Digital, Felipe França, participou de Reunião Conjunta no Senado Federal, com o objetivo de debater a Política Nacional de Educação digital, assim como a necessária regulamentação da Lei. A Reunião integrou a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática e a Comissão de Educação.
Em sua fala, França ressaltou que o Plano é um “Marco normativo essencial ao futuro” e “antecipou as principais discussões sobre políticas digitais que temos hoje”. “A Política Nacional de Educação Digital não é apenas sobre infraestrutura. É sobre garantir que os nossos estudantes desenvolvam habilidades digitais para o exercício da cidadania, para o mundo do trabalho e para os desafios de um mundo integrado à internet e à inteligência artificial”, defendeu.
O Diretor-Executivo ponderou alguns indicadores da Lei que devem ser observados. Segundo o especialista, a distância entre a Lei e a realidade brasileira ainda é distante. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, publicado em 2004, 89% das escolas têm internet, mas apenas 62% a usam pedagogicamente. “Isso mostra o tamanho do desafio”, disse. Ainda sobre políticas de conectividade, França apresentou dados que mostram que apenas 29% das escolas têm dispositivos para os estudantes, com uma média de um dispositivo para cada dez alunos em formação.
Em sua fala, o representante do Conselho Digital lembrou da importância de capacitar professores para a utilização dos meios digitais nas escolas e em sala de aula.“A educação brasileira está com baixo uso da tecnologia e os professores não estão preparados para o uso ou ensino dela”, argumentou.
Durante o discurso, foi ressaltado a necessidade de ter uma educação digital no Brasil. “O Brasil tem um marco robusto, mas execução ainda fragmentada, insuficiente. É importante compreender que a política nacional de Educação Digital não é uma política acessória. Ela é base para enfrentar muitos dilemas que hoje debatemos nesta Casa”, afirmou.
Como solução, o especialista defende que deve-se ensinar os jovens a aprender a caminhar com segurança no mundo digital, a reconhecer riscos e a exercer seus direitos digitais. “Agora é preciso avançar na implementação, formar professores de larga escala em pensamento computacional, robótica, letramento midiático, criar um painel público de monitoramento com metas, indicadores transparentes de conectividade, formação, aprendizagem”, defendeu.